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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Em 13 anos, torcida do Corinthians troca agressões a campeões mundiais por pedido de 'fica, Tite'

Dezenas de pessoas esperavam na manhã dessa segunda-feira pela volta do Corinthians um dia depois de o atual campeão mundial ter sofrido a sua maior goleada nos últimos oito anos, 4 a 0, para a...

Lucas Borges/ESPN.com.br
Tite desembarcou escoltado por seguranças em Cumbica
Dezenas de pessoas esperavam na manhã dessa segunda-feira pela volta do Corinthians um dia depois de o atual campeão mundial ter sofrido a sua maior goleada nos últimos oito anos, 4 a 0, para a Portuguesa. Eram jornalistas, curiosos, fãs rivais, seguranças do clube. Apenas um dos presentes no saguão do Aeroporto de Cumbica vestia uma camisa alvinegra.


Reprodução
Torcida do Corinthians também já protestou por uma diretoria mais 'diguina'


Gazeta Press
Torcida do Corinthians protestou no Parque São Jorge assim que 'acobou' o jogo contra a Portuguesa

Preocupados com o risco de uma agressão, os responsáveis pela proteção da equipe a princípio afastaram o torcedor solitário. Mas a guarda baixou assim que eles perceberam do que se tratava. O fã só queria mandar uma mensagem ao técnico corintiano: ‘Tite, fica, por favor.' O comportamento da torcida após uma das maiores humilhações da história recente do Corinthians é totalmente oposto a atitudes tomadas em outros momentos de crise do clube.

"O futebol mudou muito, se profissionalizou. Hoje, a diretoria do clube não é totalmente amadora como era antes. A diretoria cobra mais da imagem, da segurança, houve um aprendizado. O que aconteceu pra gente serve de exemplo", diz ao ESPN.com.br o atacante Edilson, 13 anos depois de quase ser agredido dentro do Parque o São Jorge.

Em 2000, o elenco responsável pelo primeiro título mundial do Corinthians também passou por uma turbulência. Diferentemente desta vez, a equipe não acumulava oito partidas sem vencer, não tinha feito apenas um gol em oito jogos e tampouco havia sofrido uma goleada. O que tirou a paciência da arquibancada foi a segunda eliminação seguida nos pênaltis e para o Palmeiras no mata-mata da Copa Libertadores, conquista até então inédita para o time.

Torcedores ignoraram o fato de o treinador Oswaldo de Oliveira e as estrelas Vampeta, Marcelinho, Ricardinho e Edilson terem ganhado seis meses antes o Mundial em cima do Vasco, no Maracanã e ‘pediram a cabeça' de todos.

Oswaldo foi prontamente dispensado pela diretoria. Ricardinho e Vampeta foram xingados por torcedores, e Marcelinho Carioca foi recebido com ovadas no carro e com gritos de ‘pipoqueiro' na reapresentação do time depois da queda na Libertadores. Naquele mesmo dia, cerca de cem integrantes da organizada Gaviões da Fiel invadiram o Parque São Jorge durante a apresentação do novo técnico, Oswaldo Alvarez, o Vadão e estiveram a ponto de agredir Edilson, que decidiu abandonar o clube.

"Não pretendo mais vestir a camisa do Corinthians. Tomei a decisão devido à lamentável atitude da torcida com atletas que só têm dado alegria ao clube. Os dirigentes deveriam ter previsto isso. Só não fui agredido porque seguranças e policiais que estavam no local conseguiram impedir a tempo. Não posso sofrer ameaças de agressão dentro do meu local de trabalho", desabafou na época o ‘Capetinha', bicampeão brasileiro pelo Corinthians em 1998 e 1999 e responsável pelo lance mais épico do Mundial de 2000, a ‘caneta' seguida de gol contra o Real Madrid do zagueiro Karembeu.

Em 2013, é verdade, parte da torcida já se virou contra o herói do título da Libertadores de 2012, Emerson Sheik, alvo de comentários homofóbicos por ter publicado uma foto beijando um amigo depois de vitória sobre o Flamengo, dia 1° de setembro, pelo Campeonato Brasileiro. O máximo que se viu até aqui, porém, foram pichações contra o atacante na sede do Parque São Jorge.

Nessa segunda-feira, além de fazer a segurança dos jogadores no Aeroporto de Cumbica, a diretoria do Corinthians, que já havia sofrido com depredações no Centro de Treinamento Joaquim Grava após a eliminação na pré-Libertadores-2011, para o Tolima, tratou de proteger o CT. Quatro viaturas e sete motos da polícia militar estiverem presentes no local antes da atividade do técnico Tite. Ninguém apareceu para se manifestar.

Cogitou-se que um protesto poderia ser organizado nesta terça-feira pela Gaviões da Fiel antes do treino do time. No entanto, a atividade do dia foi transferida para Mogi Mirim, cidade do Interior de São Paulo a 160km da Capital, onde na quarta o Corinthians enfrentará o Bahia, pelo Brasileirão.

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